Textos Educativos

Introdução

 

1. Transtornos de ansiedade

 

Ansiedade é uma vivência humana universal, dentro do expectro da normalidade, é proximamente associada à vivência de medo e de outros estados de ânimo e emocionais similares.

 

Charles Darwin, em 1872, no seu livro The Expressions of the Emotions in Man and Animals apresentou descrições dos estados de medo e ansiedade, quer apesar de pequenas incorreções sobre a interpretação do porquê das manifestações nos fornece uma figura clara transcultural e transtemporal do que é de fato, uma vivência universal da espécie humana.

 

Como se trata de uma emoção, a ansiedade é difícil de ser definida com precisão, mas pode ser apreendida e estudada através da introspecção ou, indiretamente, por seus correlatos fisiológicos (Gentil, 1997).

 

Como todo estado emocional a ansiedade é um sinal, preparando o indivíduo para o que poderá acontecer dado um certo contexto ambiental específico (fitness). Do ponto de vista biológico, é um estado de funcionamento cerebral, ligado a percepção de contextos ambientais potencialmente ameaçadores, que possibilita a identificação do perigo e o grau da ameaça (potencial, distante ou iminente) e elicia ações comportamentais espécie específicas de enfrentamento.


A ansiedade tipo antecipatória se diferencia da sensação de ansiedade tipo pânico (vivenciada como medo) por ser uma resposta emocional a uma ameaça desconhecida, potencial ou distante.

 

Como as alterações funcionais associadas à ansiedade têm como função aumentar nossa chance de sobrevivência ou sucesso IMEDIATO em um contexto ambiental específico, a reação pode ser vivenciada com desconforto que pode ser extremo e provocar conseqüências deletérias para a saúde a longo prazo (ex. doenças cardíacas). Em vista disto é claro que há condições onde deixamos de considerar a ansiedade uma reação normal e é cabível uma intervenção terapêutica.

 

A ansiedade é considerada patológica quando o mecanismo de alerta para os perigos internos ou externos em potencial é excessiva, desproporcional, desadaptativa ou leva a sofrimento intenso.

 

Nos casos clínicos mais comuns, o indivíduo parece estar genericamente ansioso na ausência de qualquer ameaça identificável. Não existe uma divisão precisa entre ansiedade normal e patológica, sendo sempre de modo arbitrário e subjetivo que decide-se ou não pelo tratamento.

 

 


2. Formas Clínicas de Manifestação da Ansiedade Patológica

 

As manifestações da ansiedade patológica podem ser subdivididas e organizadas de modo a facilitar o entendimento dos sinais e sintomas para discriminação clínica, valor preditivo de resposta terapêutica e se ansiedade é a principal manifestação sintomatológica ou apenas é um componente sub ou super valorizado.

 

Manifestações cognitivas, psíquicas ou mentais incluem as vivências de medo, angustia, preocupação. A ansiedade difusa se manifesta no indivíduo que interpreta uma grande variedade de situações como ameaçadoras e apreensão por provável resultado desfavorável, o indivíduo tende a se deter aos aspectos negativos e ameaçadores das situações do cotidiano. Inclui-se tensão, inquietação interna, apreensão desagradável, opressão e desconforto subjetivo, preocupações exageradas, insônia, insegurança, irritabilidade, distraibilidade, desconcentração, desrealização, despersonalização, etc.

 

Manifestações físicas ou somáticas incluem sensação de falta de ar, hiperpnéia, taquicardia, dificuldade para engolir, náusea, boca seca, desconforto abdominal que podem ser conseqüentes a liberação ou hiperatividade adrenérgica componente fisiológico da ansiedade e do medo.

 

Outros sintomas físicos são complicadores encontrados devido a hiperventilação como tontura, vertigem, sensação de desmaio, dor no peito ou devido a hipertonia muscular que evoluiu com tremores generalizados, dores inespecíficas e generalizada e espasmos musculares.

 

Outras manifestações da ansiedade patológica ou consequência desta são as manifestações comportamentais de esquiva ou fuga, inquietação e exploração do ambiente antecipando perigo ou ameaça, sobressaltos, hiperreatividade a estímulos e insônia.

 

Manifestações emocionais o indivíduo vivência sensações de desconforto, desprazer, desmotivação e aversão.
A ansiedade ainda pode ser apreendida pelo avaliador se manifestar de forma tônica ou constante, o que caracteriza o transtorno de ansiedade generalizada, além das outras manifestações citadas anteriormente.

 

Crises ou ataques paroxísticos de ansiedade, denominamos ataques de pânico, quando uma série de sintomas subitamente se instalam em cerca de dez minutos.

 

A ansiedade patológica pode ainda estar associada a eventos, objetos ou situações identificáveis, ou seja denominada ansiedade situacional ou pode ocorrer de forma imotivada ou espontaneamente, ou seja ansiedade espontânea.

 

Na tabela abaixo estão as principais queixas relatadas por pacientes com transtornos de ansiedade:

 

 

HIPERATIVIDADE AUTONÔMICA

Taquicardia, hiperpnéia, sensação de falta de ar, sudorese, boca seca, náusea, urgência miccional, mal-estar abdominal ou diarréia, calafrios ou ondas de calor.

HIPERPNÉIA E HIPERVENTILAÇÃO

Parestesias, vertigens, dor / pressão no peito, desrealização, despersonalização.

AUMENTO DA TENSÃO MUSCULAR

Sensação de tensão, dificuldade para relaxar, tremores, dores diversas e inespecíficas.

ALTERAÇÕES COMPORTAMENTAIS

Inquietude, esquiva, obsessões e compulsões, irritabilidade, apreensão.

AUMENTO-ATENÇÃO E VEL. ASSOCIAÇÕES

Insônia, sobressaltos frequentes, baixa concentração e rendimento intelectua.

 


15.05.2012

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