Textos Educativos

Medos Exagerados e Fobias

29.05.2012

Dra. Raquel Chilvarquer

 O medo é um sentimento de grande inquietação ante a noção de um perigo real ou imaginário, de uma ameaça. Trata-se de um sentimento saudável, de defesa e de autopreservação quando nos encontramos diante de uma situação que possa apresentar algum perigo real. Quando este medo torna-se exagerado, mórbido e irracional, ele passa a ser denominado de fobia. O termo fobia se refere ao medo excessivo de objeto, circunstância ou situação específicos. A fobia específica é o medo intenso e persistente de um objeto ou de uma situação, enquanto afobia social é o medo intenso e persistente de situações sociais em que possa ocorrer embaraço ou humilhação, como ao falar ou escrever em público, urinar em banheiros públicos (“bexiga envergonhada”), falar com alguém que tencione namorar, ir a uma festa, etc.



As fobias produzem evitacão consciente de assuntos, atividades ou situações temidos, ao que denominamos de esquiva fóbica. Tanto a presença como a antecipação da situação fobica, desencadeiam um grande sofrimento ao individuo afetado, que em geral reconhece o excesso da sua reação. Estas respostas podem tomar a forma de um ataque de pânico. As reações fóbicas perturbam a capacidade do individuo de desempenhar várias atividades de sua vida, ainda que algumas não interfiram no dia a dia (por exemplo, o medo de barata ).



A fobia específica é mais comum que do que a social. É o transtorno mais comum entre as mulheres e o segundo mais comum entre os homens, atrás apenas do transtorno por uso de drogas. A razão entre os sexos é de cerca de 2 para 1, embora seja próxima de 1 para 1, para medo de sangue- injeção-ferimento. Os objetos e as situações temidas nas fobias especificas são classificadas nos seguintes tipos: animais; ambiente natural (tempestades, altura, água) ; sangue-injecao-ferimentos; medo de lesão, doença e morte; situacional (medo de andar em transportes coletivos, túneis, avião, elevadores,dirigir ou permanecer em locais fechados), e as mesmas são nomeadas de acordo com o medo específico ( por exemplo: medo de altura- acrofobia; medo de água-hidrafobia; medo de espaços fechados-claustrofobia).



Alguns quadros psiquiátricos podem ser confundidos com as fobias específicas, como por exemplo: agoragobia, que é o medo de sentir-se mal ou não poder sair de locais onde há aglomerações e / ou onde o socorro pode ser difícil. Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), por exemplo, o medo de se contaminar em casos de obsessões de contaminação e rituais de limpeza. Transtorno de Estresse Pós-Traumatico (TEPT), em que a pessoa apresenta esquiva fóbica de situações relacionadas ao evento traumático. Transtorno de Pânico, pode ocorrer hipervigilância em relação a sintomas corporais que se confundem com fobia de doenças.

 

Tratamento

 

O tratamento mais indicado na atualidade para as fobias específicas tem sido a Terapia Comportamental, cujo procedimento é colocar o paciente frente à situação ou ao objeto temido. Esta abordagem é fundamentada na proposição de que os comportamentos evitados mantêm a presença dos sintomas fóbicos.



A esquiva faz com que o sujeito não experimente as conseqüências deste contato, que em geral é mais tranqüila do que ele imagina. Acredita-se que, com a repetição (habituação) do ato de enfrentar aquilo que se teme (objeto fóbico) há o desaparecimento dos sintomas fóbicos. Em geral não são utilizados medicamentos, a não ser em casos de rara oportunidade de exposição, onde os benzodiazepínicos mostram resultados positivos. Tem havido interesse recente no uso da D-cicloserina, que atua na potencializacao dos efeitos da exposição, aumentando o aprendizado, sendo que este tratamento encontra-se ainda em caráter experimental.

 


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